A Internet e os Riscos para Crianças e Adolescentes
A internet se tornou um lugar perigoso.

Notícia publicada em 26/01/2025 11:20 - #sociedade_comportamento
A internet, que deveria ser um espaço de aprendizado e interação, se transformou em um verdadeiro "campo minado" para crianças e adolescentes. Essa afirmação vem do pesquisador Pedro Hartung, que é diretor de Políticas e Direitos das Crianças do Instituto Alana. Ele alerta que a recente decisão da empresa Meta, que controla plataformas como Instagram e Facebook, de afrouxar as normas de moderação de conteúdo, aumenta os riscos para os jovens que navegam na rede.
Hartung explica que as crianças que já enfrentam vulnerabilidades sociais estão ainda mais expostas a perigos no ambiente digital. Ele destaca que a internet não foi projetada para proteger os usuários, especialmente os mais jovens, e que a falta de moderação ativa pode levar a um aumento de violências e crimes online. "A internet aumenta as vulnerabilidades que já existem no ambiente offline", afirma o pesquisador.
Aumento da Violência Digital
O especialista menciona que crianças negras, periféricas e meninas são as mais afetadas por essa situação. Ele observa que essas crianças não apenas enfrentam a reprodução de violências sociais que já existem fora da internet, mas também um aumento dessas violências no ambiente digital. Hartung lamenta a ausência de representantes das grandes empresas de tecnologia em debates importantes, como a audiência pública realizada na Advocacia-Geral da União (AGU), onde se discutiu a proteção das crianças nas redes sociais.
Ele ressalta que o ano de 2025 marcará os 35 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e que o Brasil enfrenta desafios significativos para combater o que ele chama de "colonialismo digital". O afrouxamento das regras de moderação, segundo Hartung, não se refere apenas à liberdade de expressão, mas sim à segurança das crianças e adolescentes, que estão expostos a conteúdos prejudiciais e até criminosos.
Riscos e Consequências
Os riscos que crianças e adolescentes enfrentam na internet são alarmantes. Hartung menciona o aumento de cyberbullying, a exposição não autorizada de imagens e a circulação de conteúdos que promovem a violência. Ele destaca que a falta de moderação ativa em plataformas digitais pode resultar na disseminação de pornografia infantil e outros tipos de violência, colocando em risco a integridade física e emocional dos jovens.
O pesquisador também critica a ideia de que a internet é um espaço público democrático. Ele argumenta que, na verdade, as plataformas digitais são projetadas para engajar e viciar os usuários, muitas vezes explorando as crianças comercialmente. Isso gera um ambiente onde a segurança e o bem-estar dos jovens são frequentemente ignorados.
O Papel do Estado e da Sociedade
Hartung enfatiza que o Estado tem um papel crucial na proteção das crianças e adolescentes. Ele defende que o governo deve não apenas regulamentar as plataformas digitais, mas também fiscalizar e garantir que as leis existentes sejam cumpridas. O artigo 227 da Constituição Brasileira estabelece que a família, a sociedade e o Estado devem assegurar os direitos das crianças e adolescentes com prioridade absoluta.
Além disso, ele destaca a importância da educação digital. As famílias devem ser ativas na mediação do que seus filhos acessam na internet, e as escolas devem promover uma leitura crítica da mídia digital. Hartung acredita que a nova lei que proíbe o uso de celulares em sala de aula pode ajudar a criar um espaço mais seguro para as crianças, permitindo que elas aprendam a navegar no mundo digital de forma mais consciente.
Conclusão
A situação atual da internet exige uma resposta coletiva. Hartung sugere que as famílias se unam para exigir mudanças nas políticas das grandes empresas de tecnologia e que o Estado atue com firmeza para garantir a segurança das crianças online. Ele acredita que a proteção das crianças na internet não deve ser uma questão ideológica, mas sim uma prioridade para toda a sociedade. O fortalecimento das leis e a criação de uma governança internacional da internet são passos essenciais para garantir que as crianças possam navegar de forma segura e saudável no ambiente digital.