Exposição no Memorial da Resistência homenageia vítimas da ditadura

Memorial da Resistência celebra 16 anos com exposição.

Exposição no Memorial da Resistência homenageia vítimas da ditadura

Notícia publicada em 25/01/2025 17:50 - #cultura


O Memorial da Resistência de São Paulo é um espaço importante que preserva a memória dos atos de resistência contra a repressão no Brasil. Recentemente, o memorial comemorou 16 anos de atividades e, para marcar essa data, inaugurou uma nova exposição que busca refletir sobre a história da ditadura civil-militar que ocorreu no país entre 1964 e 1985.

A nova obra, intitulada Este capítulo não foi Concluído e criada pelo artista Rafael Pagatini, é um mural que ocupa uma área de 14,2 metros de largura por 4,5 metros de altura. O mural é composto por 72 páginas que foram extraídas dos processos do Superior Tribunal Militar (STM), que documentam as violências cometidas contra os perseguidos políticos durante a ditadura. Essas páginas foram coletadas do projeto Brasil: Nunca Mais, que, com a colaboração de diversos grupos, preservou um acervo de 1 milhão de páginas de processos entre 1979 e 1985.

O mural não apenas apresenta documentos, mas também inclui elementos que representam as vítimas, como roupas e adereços, para tornar a presença dessas pessoas mais visível e impactante. A intenção de Pagatini é provocar uma reflexão sobre a memória e a justiça, temas que ainda são muito relevantes nos dias de hoje.

Uma das conexões interessantes que pode ser feita a partir do mural é com o livro O Processo, de Franz Kafka. O romance, que foi escrito durante a Primeira Guerra Mundial, retrata a angústia de um homem que é acusado de um crime que não compreende. Essa sensação de incerteza e de ser vítima de um sistema de justiça opressivo é algo que também pode ser observado na história dos perseguidos políticos durante a ditadura no Brasil.

A exposição, que faz parte do projeto Uma Vertigem Visionária - Brasil: Nunca Mais, ocupa uma área de 400 metros quadrados e é curada por Diego Matos. Além do mural de Pagatini, a mostra apresenta obras de ex-presos políticos, como Artur Scavone, Ângela Rocha, Rita Sipahi, Manoel Cyrillo, Sérgio Ferro, Sérgio Sister e Alípio Freire. Essas obras foram criadas durante o período em que esses artistas estiveram encarcerados e refletem suas experiências e lutas.

A diretora do Memorial da Resistência, Ana Mattos Pato, destaca a importância do material que compõe o projeto Brasil: Nunca Mais. Segundo ela, os documentos utilizados são originais e foram elaborados pelos próprios militares, o que torna essa documentação irrefutável. Isso é um ponto que diferencia o Brasil de outros países, como a Argentina, que também possui exposições sobre sua história de repressão.

Ana também observa que muitos visitantes chegam ao memorial sem conhecimento prévio sobre o projeto Brasil: Nunca Mais. Alguns já ouviram falar, mas não conhecem os detalhes. Ao visitar a exposição, muitos se surpreendem ao descobrir a profundidade e a gravidade da história que está sendo contada. Ela menciona que essa história merece ser mais conhecida e estudada, pois é um relato profundo da violência de Estado durante a ditadura.

Uma das principais atividades do memorial é coletar depoimentos de pessoas que viveram durante a ditadura. Com a nova exposição, essa coleta de relatos tem sido intensificada. Ana ressalta que, para muitas dessas pessoas, é a primeira vez que elas se sentem à vontade para compartilhar suas experiências publicamente. O silêncio que perdurou por tanto tempo é atribuído a um pacto social que buscava proteger as pessoas envolvidas, mas também ao medo que ainda persiste.

A diretora acredita que esse medo é resultado de um histórico de vigilância que continuou mesmo após a redemocratização do Brasil. Muitas pessoas que participaram da resistência se sentiram inseguras para falar sobre suas experiências, o que demonstra o impacto duradouro da repressão em suas vidas.

A exposição Uma Vertigem Visionária - Brasil: Nunca Mais estará disponível para visitação até o dia 27 de julho no Memorial da Resistência, que fica em São Paulo. A entrada é gratuita e o espaço está aberto todos os dias, exceto às terças-feiras, das 10h às 18h. Essa é uma oportunidade valiosa para que todos possam conhecer e refletir sobre um período tão importante e doloroso da história do Brasil.


Wiki: Memorial da Resistência (museu)
O Memorial da Resistência é um museu localizado na cidade de São Paulo, Brasil, dedicado à preservação da memória e à reflexão sobre a resistência à repressão política durante o período da ditadura militar brasileira, que ocorreu entre 1964 e 1985. O espaço foi inaugurado em 2009 e está situado n... Ver wiki completa