Burocracia Complica Blocos de Carnaval no Rio de Janeiro
Exigências dificultam participação dos blocos de carnaval.

Notícia publicada em 25/01/2025 13:47 - #cultura
Os blocos de carnaval de rua do Rio de Janeiro enfrentam grandes dificuldades para participar da folia devido ao aumento das exigências e da burocracia. Este ano, o carnaval acontecerá nos dias 1º, 2, 3 e 4 de março, mas muitos blocos tradicionais estão considerando não participar mais da programação oficial da cidade.
Rita Fernandes, presidente da Sebastiana - a principal liga de blocos de rua do Rio, expressou sua preocupação com o crescimento das exigências que dificultam a realização dos desfiles. Segundo ela, a burocracia se tornou um grande obstáculo, tornando o carnaval uma atividade muito mais custosa e complexa. "O carnaval cresceu muito, e esse crescimento trouxe uma série de problemas e exigências", afirmou Rita.
Ela destacou que os blocos não estão conseguindo lidar com a burocracia e os custos associados a ela. As exigências incluem a contratação de profissionais como arquitetos e engenheiros, além de testes de carga e de fogo, o que transforma a festa em um evento muito mais formal e menos descontraído do que era antes.
Isabela Dantas, diretora de relações institucionais do Coreto, uma associação que reúne 40 blocos, também comentou sobre a situação. Ela mencionou que, apesar da busca por formalização, a maioria dos blocos considera a experiência de produção cultural do carnaval de rua como regular, ruim ou péssima. Os principais problemas identificados incluem o financiamento e a liberação de autorizações pelos bombeiros.
Para que um bloco possa desfilar, é necessário passar por três processos administrativos principais: na Polícia Civil, na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros. A autorização do Corpo de Bombeiros tem sido especialmente difícil de obter. Blocos que não utilizam estruturas como carros de som não precisam dessa autorização, mas aqueles que planejam usar qualquer tipo de estrutura enfrentam uma longa lista de exigências.
Entre as exigências estão a apresentação de plantas dos trajetos dos desfiles, cópias de notas fiscais de extintores de incêndio, e projetos detalhados de cada trio elétrico, todos assinados por profissionais qualificados. Rita criticou essa situação, afirmando que a necessidade de apresentar rotas de fuga e outros requisitos é excessiva e desnecessária para um evento que sempre foi uma celebração popular.
Além da burocracia, os blocos também enfrentam dificuldades financeiras. O patrocínio, que antes era uma forma comum de arrecadar fundos, agora está sujeito a regras rígidas da prefeitura. Os blocos precisam respeitar as divulgações dos patrocinadores oficiais do carnaval, sob pena de multas. Rita comentou que, com o aumento dos custos, os blocos precisam de mais dinheiro e patrocínios, o que se tornou um desafio maior nos últimos anos.
O carnaval de rua é uma parte vital da cultura carioca, atraindo milhões de pessoas e movimentando a economia da cidade. Em 2024, cerca de oito milhões de pessoas participaram do carnaval no Rio, com seis milhões de foliões espalhados por 399 desfiles de blocos de rua, injetando R$ 5 bilhões na economia local. Rita enfatizou a importância dos blocos para a festa, afirmando que eles são essenciais para a alegria e a união que o carnaval representa.
O Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, por sua vez, afirmou que está trabalhando para garantir a segurança do carnaval de rua e que tem feito esforços para facilitar a regularização dos blocos. O major Fábio Contreiras, porta-voz da corporação, destacou que a missão é proteger os cidadãos em relação a incêndios e situações de pânico. Ele também mencionou que blocos sem infraestrutura física estão isentos de regularização, mas que as exigências são necessárias para garantir a segurança dos foliões.
A Riotur, empresa responsável pelo turismo na cidade, ressaltou a importância da regulamentação dos blocos para garantir a tranquilidade e o conforto dos foliões. A empresa afirmou que sempre manteve um canal de comunicação com as ligas e blocos de carnaval, e que a organização prévia é essencial para a realização do evento sem problemas.
Com todas essas dificuldades, muitos blocos estão reconsiderando sua participação no carnaval oficial. Rita, por exemplo, anunciou que o bloco "Imprensa que eu gamo" não participará mais do carnaval oficial a partir de 2026, citando a burocracia e os custos como fatores decisivos para essa decisão. A situação atual levanta questões sobre o futuro do carnaval de rua no Rio de Janeiro e a necessidade de um tratamento mais compreensivo e respeitoso para com os blocos que fazem parte dessa rica tradição cultural.